Terça-feira, Janeiro 11

Citando William Blake

Voltando a falar de poemas, decidi aparecer com um que gosto já a um booom tempo. Se eu falar onde fui encontra-lo, todos vão morrer de rir, é certo. Bem, achei na contracapa da edição da Marvel Origens Wolverine 3ª parte. Já deu para todo mundo rir? Continuando, quando me deparei com esse poema, amei logo de cara. Intenso, profundo e com uma linda sonoridade (inglês). 
Blake foi um escritor romântico-realista, se é que dá para definir assim. Algo como Camões, mas com os problemas sociais e a Igreja ao invés de escravos. Viveu na época do Iluminismo, mas aparentemente não se encaixava na época. Ano passado me deparei com uma coletânea de poemas dele em um livro de biblioteca e peguei para ler. Não gostei muito do estilo, embora ele seja caracterizado pelo equilíbrio sonoro, como ja mencionei. Mas esse continua sem igual para mim...




The Tiger
William Blake

TIGER, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder and what art
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And water'd heaven with their tears,
Did He smile His work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?



O TYGRE

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas atreveu ao vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-te os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal ousaria
Traçar-te a horrível simetria?

(Tradução: José Paulo Paes )
Essa é de todas a minha versão preferida, pois o tradutor busca manter o estilo, mantendo sonoro e com palavras bem escolhidas...

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