Sexta-feira, Janeiro 14

Citando Florbela Espanca

Continuando sobre poemas, falo agora de uma poetisa Portuguesa, sentimental ou melancólica, por vezes alegre, mas sempre completa, profunda. Florbela Espanca sempre me encantou, desde que a li pela primeira vez. Se não me engano eram lá os meus 14 anos ou algo assim. Seus poemas volta e meia apareceram na minha adolescência, ainda aparecendo, é claro. Suave ou densa, calma ou intensa, sempre há em Florbela algo que define meus momentâneos sentimentos. Um de meus preferidos trago aqui hoje. Chamado Vaidade, exprime tudo o que por vezes sente a alma de um Poeta.



Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

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