Continuando sobre poemas, falo agora de uma poetisa Portuguesa, sentimental ou melancólica, por vezes alegre, mas sempre completa, profunda. Florbela Espanca sempre me encantou, desde que a li pela primeira vez. Se não me engano eram lá os meus 14 anos ou algo assim. Seus poemas volta e meia apareceram na minha adolescência, ainda aparecendo, é claro. Suave ou densa, calma ou intensa, sempre há em Florbela algo que define meus momentâneos sentimentos. Um de meus preferidos trago aqui hoje. Chamado Vaidade, exprime tudo o que por vezes sente a alma de um Poeta.
Vaidade
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...
