Sábado, Outubro 9

Citando Charles Baudelaire

Dessa vez, trouxe um poema do simbolismo, de um poeta que muito aprecio. Tirado do livro As Flores do Mal, este poema me encantou desde a primeira vez que li, no ensino médio, enquanto estudava para o vestibular, mesmo não sendo exigido/estudado como matéria. Coloquei em negrito as partes que mais aprecio.
Duas épocas, estilos literários, que me atraem na literatura são o Simbolismo e a Segunda Geração do Romantismo, pela intensidade. Mário de Andrade escreveu: "há uma gota de sangue em cada poema", e esta é uma frase que caracteriza plenamente essas duas épocas. O poeta, ao escrever, é como se vertesse uma parte de sí em cada poema, feito de suor e sangue, e lágrimas. Uma paixão pela arte, uma intensidade delirante, um amor obsessivo pela sua obra. Eu os tenho como grande inspiração, ao escrever qualquer texto, sempre procurando deixar uma parte de mim, deixar uma impressão de minh'alma em cada palavra. Talvez por esse motivo que não escrevo muito, fracionar meu ser a cada criação torna-se dolorido, tenho que aguardar a ferida cicatrizar. Em todo caso, de dores em dores, vem minha alegria, a cada composição.


Enfim, aqui o poema... Espero que apreciem...


O Albatroz
Charles Baudelaire
Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam de um albatroz, enorme ave do mar,
Que segue, indolente companheiro de viagem
O navio no abismo amargo a deslizar.

E por sobre o convés, mal estendido apenas,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Asas que enchem de dó, grandes e alvas penas,
Eis que deixa arrastar como remos ao lado,

O alado viajante tomba como num limbo!
Hoje é cômico e feio, ontem tanto agradava!
Um ao seu bico leva o irritante cachimbo,
Outra imita a coxear o doente que voava!

O poeta é semelhante ao príncipe do céu
Que do arqueiro se ri e da tormenta no ar;
Exilado da terra e em meio do escarcéu,
As asas de gigante impedem-no de andar.


Charles Baudelaire

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